Surrealismo

 Junior Oliveira.

 

Movimento Surrealista.       

    

Elephant Célèbes. Max Ernst

            O Surrealismo foi um movimento, iniciado nos anos de 1920 na  literatura e artes plásticas. Reunia artistas  anteriormente ligados ao Dadaísmo. O Dadaísmo;  pintura de critica social, onde os artistas aplicavam o principio do ilogismo, da irracionalidade e da casualidade na criação artística. Já o surrealismo era fortemente influenciado pelos  descobrimentos da Psicanálise, criada por Sigmund Freud. Os  artistas tinham deixado de acreditar na realidade visível e procuravam uma realidade universal, uma surrealidade, uma sobre realidade.

            As pesquisas da Psicanálise impulsionou os surrealistas para pesquisa e interpretações dos sonhos. Grande  parte de nossa alma estava submersa nas profundezas do nosso inconsciente, e estas forças do pensamento e comportamento   escondidas no inconsciente, era   principal fonte de pesquisa da arte surrealista. Era no mundo do sonhos que  os artistas iriam tentar desvendar o universo, o imaginário fantástico do subconsciente.  Assim os Surrealista creditavam grande importância ao mundo dos sonhos, na fusão do sonho e realidade.  A  convicção de que  no mundo invisível  existiam muitas sensações que deveriam ser  evocadas nos sonhos ou por estados alucinatórios e sugestivos de exploração, segundo o  escritor André Breton ao publicar em 1920 o Manifesto surrealista “sonho e realidade  aparentemente tão contrários, numa espécie de  Superrealidade ( surrelidade) absoluta”. Assumindo assim  a responsabilidade pelo nome que iria designar o movimento.

            Os artista mais destacados do Surrealismo  foram os pintores Salvador Dali ( 1904- 1989), Joan Miró ( 1893 – 1983), Max Ernst ( 1891 – 1976), René Magritte ( 1898- 1967) e Frida kahlo ( 1907- 1954), os escritores André Breton, Antoin Artaud (1896-1948), Paul Elard (1895-1952), Luiz Aragon (1897-1982), Benjamim Péret (1899-1959) e o Cineasta Luis Buenhel ( 1900-1983) Estes artistas pesquisavam um superrealidade na arte. O Surrealismo destacou-se nas artes  por quadros, esculturas ou produções literárias que procuravam expressar o inconsciente dos artistas, tentando driblar as amarras do pensamento racional. Entre seus métodos de composição esta  a escrita automática.

    A escrita automática consistia em escrever livremente, quase sem pensar na composição e formatação da frase, tentando não se deixar levar pela amarras do inconsciente, libertando-se das censuras da razão e expressando-se criativamente atos não programados pelo cérebro. Um poder criador sem sentido imediato, escapando a vontade do autor.

Kissing -Max Ernst.

Sobre alguns dos mais destacados expoentes do Surrealismo temos: o pintor Salvador Dali, que buscava em seus quadros criar um imaginário pictórico perturbador e angustiante, criando  imagens completamente irreais mas com estilo bem realista. As telas de Dali pareciam  visões oníricas repletas de signos  e cifras inexplicáveis, afetando o observador da obra a um nível emocional  situando-o em  um  mundo para além de uma lógica emocional e visual.  Já o pintor Belga René Magritte questionou uma realidade contrária, servindo-se de princípios contrário aos de Salvador Dali. Magritte  não aspirava  conjurar elementos recalcados no inconsciente,  mas sim descobrir o que há de estranho nele, seus quadros pretendiam nos trazer ou introduzir algo familiar naquilo que nos  é estranho. Como exemplo a obra o Império das Luzes que nos deixa  confusos e só após um certo tempo é que vemos, ou percebemos o que nos deixa confuso ao perceber o céu claro de uma dia ensolarado e a casa e a floresta numa  iluminação noturna. O dia e a noite entrelaçada desvelando uma aparência da realidade.  Questionando  o porque da realidade ser assim e não de outra forma.

René Magritte - O Império das Luzes.

Uma outra vertente do Surrealismo podemos ver nas obras de Joan  Miró e Max Ernst.  Como nas escrita automática, técnica da literatura,  eles praticavam um composição, um método, da arte improvisada, sem o realismo de Dali e Magritte, com uma  construção simbólica, não  figurativa, apresentavam cenas que desafiavam o senso comum. Miró e  Ernst distanciavam  o máximo possível do controle consciente na criação de seus quadros.

Joan Miró  tentou banir de  sua obra uma criação

Joan Miró - DayBreak

consciente, tentou banir  a razão, soltar o inconsciente. Trabalhando com espontaneidade Miró  inventou signos para seus quadros que representava elemento da natureza, formatando uma estenográfica de pictogramas  de formas geométricas e gotas, numa mistura de fatos, de fantasia as formas semi-abstratas de Miró aludem a objetos reais percebidos pelo pintor. 

     Já Max Ernst, Dadaísta e Surrealista apresentava em suas obras, elementos que despertam uma atenção mental,  empregando títulos  ambíguos como “A Preparação de Cola de Osso”, “A Pequena Glândula Lacrimal que Fala Tique-Taque” e “Duas Crianças Ameaçadas Por Um Rouxinol”. Ernst realizava desenho  de aparelho fictícios, maquinetas  e colagem dadaístas, a partir do contato com as teorias da Psicanálise. Começa desenhar em seus quadros imagens simbólicas, com espaços profundo, incertos e sugestivos, como no quadro “O Grande Bosque”. Estes são alguns dos representantes mais destacado do Surrealismo na pintura,  visto que esta linguagem obteve maior sucesso e precisão quanto aos elementos e objetivos surrealista.  

Duas Crianças Ameaçadas por um Rouxinou - Max Ernst.

A pesquisa  da profundeza da alma  dos surrealista tinha necessariamente um perfil individualista e de introspecção. Neste sentido, individualista, os Surrealista não tinham normalmente abordagens politicas em seus quadros.  As alterações politicas, os regimes autoritários em vários países da Europa não eram questões levantadas em suas obras. Tinham uma atitude de negação a este mundo exterior,  voltando-se para dentro, para as questões da alma, dos sonhos. 

     Ações de limpeza artística levadas a cabo pelos nacionais-socialistas  interrompe a produção artística na Alemanha. Produzem uma exposição chamada a “Arte Degenerada” em Munique 1937  lançado  uma campanha difamatória contra os artistas modernos que se negam  a pintar o realismo embelezador da doutrina nacional-socialista. Muitos artista  emigraram para  fora da Europa por sofrerem perseguições  ou proibições de produzirem sua arte.  Muitas obra destes artistas modernos de maior destaque  foram  banidas dos museus, destruídas ou vendidas para  outros países.  Grande parte destes artistas foram para os Estados Unidos e em 1940 Nova Iorque  torna-se o novo ponto de encontro da arte  Surrealista.  No entanto  anos 40 o movimento Surrealista não tem mais a força e o vigor criativo que apresentou  nos anos 20 e 30,  mas exerce influencia e positiva  sobre o desenvolvimento artístico no período pós guerra.

Referênicas:

  • Historia da Pintura –   Anna – Carola Kraube – Tradução Ruth Correia e Miriam Tomás Medeiros. Ed. Konammann. 2001.
  • Arte Comentada – da pré-história ao Pós-moderno – Carol Strickland e John Boswell – Tradução: Angela Lobo de Andrade. Ed. Ediouro Publicações – 2004 

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